Agentes de IA podem elevar custos mesmo com tokens mais baratos, prevê Gartner

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Ilustração de calculadora e blocos conectados representando custos de agentes de IA

O preço de uma unidade de processamento de IA pode cair enquanto a conta final de uma aplicação aumenta. Esse é o alerta central de uma projeção da Gartner: os custos de inferência por fluxo de trabalho com agentes podem crescer mais de cinco vezes até 2028. A previsão foi publicada em 17 de agosto e continua relevante para entender a expansão dos agentes nas empresas.

Segundo o comunicado da consultoria, tarefas mais sofisticadas podem consumir mais processamento do que a redução do preço unitário consegue compensar. É uma projeção de mercado, não uma regra que obrigatoriamente se aplicará a cada produto ou organização.

Na nossa avaliação, a discussão ajuda a colocar a eficiência no lugar certo. O que importa para uma empresa não é apenas quanto custa uma chamada ao modelo, mas quanto custa concluir uma tarefa útil com qualidade aceitável. Essa diferença pode mudar tanto a arquitetura do produto quanto sua forma de cobrança.

Por que uma tarefa pode ficar mais cara

Uma resposta simples pode exigir uma interação curta. Já um fluxo com várias etapas pode precisar buscar informações, comparar resultados, chamar serviços e revisar o que encontrou. Cada etapa acrescenta trabalho, mesmo quando o preço de cada unidade desse trabalho diminui.

Considere um exemplo puramente hipotético: se o custo unitário cair pela metade e uma tarefa passar a consumir quatro vezes mais unidades, o gasto dessa tarefa dobra. A conta não descreve um fornecedor específico; apenas mostra por que uma melhoria em um componente não garante redução do total.

Na nossa leitura, o risco de interpretação está em comparar tarefas diferentes como se fossem equivalentes. Um sistema que resolve um problema mais complexo pode custar mais e ainda criar valor. A pergunta relevante é se o resultado adicional justifica os recursos consumidos, considerando também o trabalho humano que permanece necessário.

Medir tarefas concluídas muda a conversa

Uma equipe pode celebrar uma redução no preço por token e, ao mesmo tempo, gastar mais com repetições. Se o agente precisa tentar várias vezes, chamar ferramentas inadequadas ou refazer respostas, parte da economia desaparece. Por isso, a avaliação deve acompanhar o percurso completo até uma entrega utilizável.

Na nossa avaliação, um conjunto de métricas mais informativo inclui custo por conclusão, taxa de sucesso, tempo total e necessidade de intervenção. Esses indicadores precisam ser observados juntos. Uma alternativa muito barata que falha com frequência pode sair mais cara quando exige correções e revisão.

Também convém separar experimentação de operação recorrente. Durante o desenvolvimento, testar muitas estratégias pode ser parte legítima do aprendizado. Quando o produto começa a atender usuários regularmente, a previsibilidade passa a ter outro peso. O orçamento precisa considerar os casos comuns e os casos difíceis, não apenas uma média confortável.

Escolher a ferramenta conforme a necessidade

Nem toda etapa de um processo exige o mesmo nível de capacidade. Algumas tarefas são bem delimitadas e podem ser resolvidas com regras, consultas ou componentes especializados. Outras dependem de interpretação e justificam recursos mais sofisticados. Essa distinção é uma escolha de produto, e não apenas uma decisão sobre modelos.

Em um fluxo hipotético de atendimento, consultar o status de um pedido pode ser uma operação direta. Interpretar uma solicitação ambígua exige outro tipo de trabalho. Se tudo for tratado como um problema aberto, o sistema pode gastar recursos onde uma resposta estruturada seria suficiente e mais previsível.

Na nossa leitura, essa organização favorece produtos que conhecem bem o domínio em que atuam. Uma startup especializada pode delimitar melhor o que precisa ser interpretado e o que deve seguir uma regra. Essa clareza ajuda a controlar custos sem reduzir a qualidade nos pontos em que a inteligência adicional realmente importa.

O impacto nos modelos de negócio

Custos variáveis de execução criam um desafio para serviços vendidos por assinatura. Se alguns usuários demandam processos muito mais longos do que outros, a receita média pode esconder diferenças importantes de consumo. A empresa precisa entender essa distribuição para evitar que o crescimento amplie perdas operacionais.

Isso não significa que cobrar por uso seja sempre a melhor resposta. Previsibilidade também tem valor para o cliente. Na nossa avaliação, bons modelos comerciais deixam claro o que está incluído, como o consumo é medido e quais resultados o serviço pretende entregar. A cobrança deve ser compreensível, não uma surpresa depois da adoção.

Há oportunidades para ferramentas que tornem essa operação mais visível: identificar etapas caras, comparar versões e observar desperdícios. Mas esses produtos também precisam provar que a economia obtida supera seu próprio custo. Acrescentar uma camada de controle sem melhorar decisões pode apenas aumentar a complexidade.

Eficiência como vantagem competitiva

A previsão da Gartner não deve ser interpretada como argumento contra agentes de IA. Na nossa avaliação, ela reforça a importância de construir sistemas com objetivos claros. O potencial de automatizar trabalho continua relevante, mas precisa vir acompanhado de critérios para saber quando a tarefa terminou e quando uma nova tentativa deixou de fazer sentido.

O mercado pode se beneficiar de uma competição que vá além da capacidade máxima dos modelos. Produtos que entregam resultados confiáveis com menos etapas, melhor contexto e revisão adequada podem criar vantagens práticas. Para muitos clientes, previsibilidade e qualidade são mais úteis do que autonomia sem limites definidos.

O futuro desse segmento será influenciado pela capacidade de transformar inteligência em resultado econômico concreto. A queda do preço unitário ajuda, mas não substitui bom desenho de processos. É nessa combinação entre capacidade, controle e utilidade que vemos a oportunidade mais consistente para a próxima geração de software com agentes.

Leia também: Hone capta US$ 60 milhões para criar agentes com metas de negócio.

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