A corrida pela infraestrutura de inteligência artificial avança com investimentos bilionários de gigantes da tecnologia, incluindo parcerias entre empresas como Microsoft, OpenAI e Oracle, além de projetos de data centers que demandam recursos energéticos e financeiros intensos. Estimativas apontam para gastos totais entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões em infraestrutura de IA até o final da década, impulsionados por companhias como Nvidia, Meta e Amazon. Esses projetos colocam pressão sobre redes elétricas, suprimentos de materiais e fontes de financiamento, com projeções de capex elevados para 2026.
Investimentos e Parcerias Iniciais
Em 2019, a Microsoft investiu US$ 1 bilhão na OpenAI, tornando-se seu provedor exclusivo de nuvem Azure, com parte do valor convertida em créditos de computação para treinamento de modelos. Esse acordo evoluiu para um total de quase US$ 14 bilhões, beneficiando vendas de infraestrutura da Microsoft, enquanto a OpenAI usava os recursos em suas maiores despesas. Recentemente, a parceria se desfez parcialmente, com a OpenAI anunciando que não usará mais a nuvem da Microsoft de forma exclusiva, optando por direitos de preferência e explorando alternativas se as demandas não forem atendidas.
Outras parcerias seguiram o modelo: a Anthropic recebeu US$ 8 bilhões da Amazon, com modificações no hardware Trainium para treinamento de IA, e a Google Cloud firmou acordos como parceiro computacional primário com startups como Lovable e Windsurf, sem investimentos diretos. A OpenAI também captou US$ 100 bilhões da Nvidia em setembro, permitindo compras adicionais de GPUs, enquanto firmou arranjo de GPUs por ações com a AMD.
Ascensão de Provedores de Nuvem e Acordos Gigantes
Em 30 de junho de 2025, a Oracle divulgou um acordo de US$ 30 bilhões em serviços de nuvem com a OpenAI, superando suas receitas anuais anteriores nesse segmento e posicionando-a ao lado da Google como parceira de hospedagem pós-Microsoft. Meses depois, um contrato de cinco anos por US$ 300 bilhões em poder computacional, a iniciar em 2027, elevou o valor das ações da Oracle, tornando seu fundador Larry Ellison o homem mais rico do mundo temporariamente. O acordo presume crescimento significativo para ambas as empresas, sem que a OpenAI disponha imediatamente de tal montante.
Na mesma linha, a Nvidia investiu em rivais e clientes: em setembro de 2025, adquiriu participação de 4% na Intel por US$ 5 bilhões, seguido de US$ 100 bilhões em GPUs para a OpenAI, e um similar com a xAI de Elon Musk. Esses arranjos circulares mantêm a escassez de GPUs valiosa, trocando-as por ações privadas de alto valor, como as da OpenAI.
Projetos de Data Centers e Demandas Energéticas
A Meta planeja gastar US$ 600 bilhões em infraestrutura nos EUA até o fim de 2028, com US$ 30 bilhões a mais na primeira metade de 2025 para ambições de IA, incluindo contrato de US$ 10 bilhões com a Google Cloud. Dois novos data centers destacam-se: o Hyperion, em Louisiana, com 2.250 acres e custo estimado de US$ 10 bilhões, fornecendo 5 gigawatts via energia limpa e nuclear; e o Prometheus, em Ohio, online em 2026, movido a gás natural. Esses projetos, baseados em infraestrutura legada significativa, geram custos ambientais, como emissões em data centers híbridos da xAI em Memphis, Tennessee, com turbinas de gás acusadas de violar a Clean Air Act.
O projeto Stargate, anunciado em janeiro de 2025 pelo presidente Trump como joint venture entre SoftBank, OpenAI e Oracle, visa US$ 500 bilhões em infraestrutura de IA nos EUA, com SoftBank financiando, Oracle construindo e OpenAI contribuindo, prometendo remoção de entraves regulatórios. Apesar de hype inicial, consenso falhou em agosto, mas avançou com oito data centers em Abilene, Texas, construção final até o fim de 2026. Paralelamente, a xAI investiu US$ 20 bilhões em um complexo no Mississippi com 2 gigawatts, parte de mais de 50 GW anunciados nos EUA e Europa.
Projeções de Capex e Fontes de Financiamento
Para 2026, hyperscalers preveem capex elevado: Amazon com US$ 200 bilhões (de US$ 131 bilhões em 2025), Google entre US$ 175 bilhões e US$ 185 bilhões (de US$ 91 bilhões), Meta entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões (de US$ 71 bilhões, com alguns projetos fora dos livros contábeis), totalizando quase US$ 700 bilhões em data centers. Jamie Dimon, CEO da JPMorgan Chase, estima que cinco hyperscalers — Microsoft, Amazon, Google, Meta e Apple — elevarão gastos anuais de IA de US$ 450 bilhões em 2025 para US$ 725 bilhões em 2026, beneficiando REITs como Equinix e Digital Realty, chipmakers como Nvidia e Broadcom, e fornecedores como Lumentum e Corning, mas desafiando firmas como Salesforce e ServiceNow.
Financiamento total disponível pode atingir US$ 7,5 trilhões até 2030, via fluxo de caixa operacional de US$ 5,5 trilhões das hyperscalers, emissões de dívida como US$ 37 bilhões da Amazon e US$ 32 bilhões da Alphabet, mais US$ 700 bilhões em fundos de private credit e infraestrutura de Brookfield e Blackstone, e US$ 50 bilhões anuais em securities lastreados em ativos. No primeiro trimestre de 2026, empresas de IA como OpenAI (US$ 122 bilhões), Anthropic (US$ 30 bilhões), xAI (US$ 20 bilhões) e Waymo (US$ 16 bilhões) captaram US$ 297 bilhões, representando 81% dos funding globais de startups e indicando otimismo. Contudo, preocupações persistem com escassez de mão de obra, cobre, água e energia — mais de 50 GW anunciados nos EUA —, além de custos extras para redes elétricas e risco de concentração se todo caixa for alocado a IA, potencialmente elevando o total necessário para US$ 6,6 trilhões ou mais.


