Amazon planeja retornar ao mercado de smartphones com um dispositivo codinome “Transformer”, mais de uma década após o fracasso comercial do Fire Phone, lançado em junho de 2014 e abandonado em setembro de 2015. O novo projeto, em desenvolvimento pela divisão Devices and Services, foca em integração com o ecossistema da empresa, incluindo aplicativos como Amazon Shopping, Prime Video e Prime Music. Fontes indicam que o smartphone visa facilitar o uso diário desses serviços e sincronizar com a assistente Alexa.
Antecedentes do Fire Phone
O Fire Phone original foi desenvolvido a partir de 2010 e lançado em junho de 2014, com o objetivo de competir com dispositivos como iPhone e Galaxy. A Amazon criou o sistema operacional Fire OS e fabricou 300 mil unidades para o lançamento, mas o produto registrou vendas estimadas em apenas 35 mil unidades no período pós-lançamento. O dispositivo apresentava recursos inovadores, como a capacidade Dynamic Perspective, que permitia interações por gestos sem toque na tela, criando efeitos tridimensionais em imagens e navegação.
Apesar das inovações, o Fire Phone enfrentou problemas desde o início, com necessidade de revisão de especificações e processador durante o desenvolvimento de quatro anos. A Amazon interrompeu as vendas em setembro de 2015, tornando o projeto uma nota de rodapé na história da empresa. Análises de 2014 apontam para o fracasso comercial como resultado de baixa aceitação no mercado.
Detalhes do Projeto Transformer
O Transformer é descrito internamente como um dispositivo de personalização móvel que sincroniza com a assistente de voz Alexa e atua como canal para clientes da Amazon ao longo do dia. O desenvolvimento ocorre na unidade Devices and Services, liderada pela subunidade ZeroOne, sob comando de J Allard, ex-executivo da Microsoft que ajudou a criar o Xbox. Diferente do projeto anterior gerenciado por Jeff Bezos, o atual enfatiza a visão de um assistente de voz ubíquo, com compras no centro das funcionalidades.
O cronograma do projeto permanece incerto, e fontes alertam que ele pode ser abandonado caso haja mudanças estratégicas ou preocupações financeiras. A Amazon recusou-se a comentar sobre o assunto. Com o retorno ao mercado de smartphones, o Transformer pode alterar comparações entre dispositivos, como se phones Samsung ou Google são melhores, segundo análises de consumo.
Integração com IA e Ecossistema Amazon
O smartphone Transformer prioriza recursos de inteligência artificial (IA), com suporte ampliado para Alexa, visando incentivar o uso de produtos de IA da Amazon em dispositivos da empresa. A assistente Alexa foi reformulada por mais de um ano e lançada em fevereiro como Alexa+, incorporando capacidades de IA generativa para tarefas como planejar itinerários de viagem, atualizar calendários compartilhados, salvar receitas, recomendar filmes, auxiliar em lições de casa e explorar tópicos. Além disso, o dispositivo facilitará compras na Amazon, visualização de Prime Video, escuta de Prime Music e pedidos de comida.
A Amazon tem investido intensamente em IA, com US$ 50 bilhões aportados recentemente na OpenAI e projeção de US$ 200 bilhões em despesas de capital para IA, chips e robótica em 2026. Desde o abandono do Fire Phone, a empresa obteve sucessos em dispositivos inteligentes, como o Echo Spot lançado em 2024 e atualizações de Alexa nos tablets Kindle. Esses avanços demonstram o suporte contínuo ao ecossistema, potencializando a viabilidade de um novo smartphone.
Na prática, o foco em IA posiciona o Transformer como extensão do assistente doméstico, integrando-se a maioria dos dispositivos da Amazon. As ações da empresa caíram 9,3% neste ano, em meio a esses investimentos. O projeto, reportado por fontes anônimas em reportagem sobre o retorno da Amazon ao mercado de smartphones, reflete esforços para revitalizar a presença no setor móvel.


