Reino Unido impõe regras ao Google sobre uso de conteúdo em IA

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Scale balancing 3D AI blocks and human figure symbolizing AI regulation and technology and creativity balance.

O Reino Unido impôs novas regras ao Google que obrigam a empresa a dar a editores de sites o controle sobre o uso de seu conteúdo em recursos de busca com inteligência artificial (IA). A medida, anunciada nesta quarta-feira, é considerada uma inovação mundial pela autoridade reguladora local, que busca equilibrar o poder de negociação entre a big tech e os criadores de conteúdo.

Como funciona a opção de exclusão

Pela nova regra, editores poderão usar uma opção no Search Console, ferramenta gratuita para gerenciar a presença em resultados de busca, para impedir que seus sites apareçam em funcionalidades como AI Overviews, AI Mode e AI Overviews no Discover. Segundo o Google, sites que optarem por sair não receberão tráfego ou impressões desses recursos de IA generativa, mas a decisão não afetará o ranqueamento nas buscas tradicionais.

A empresa informou que testará inicialmente a ferramenta com um subconjunto de editores do Reino Unido antes de disponibilizá-la globalmente. A autoridade de concorrência britânica, a Competition and Markets Authority (CMA), já havia classificado o Google como tendo “status de mercado estratégico” em outubro do ano passado, o que abriu caminho para essas exigências. Em janeiro, a CMA já pressionava o Google a dar essa opção aos editores.

Atribuição e transparência

Além da opção de exclusão, o Google será obrigado a garantir que o conteúdo de editores exibido em respostas de IA seja devidamente atribuído com links claros. A empresa afirma já estar em conformidade, tendo aumentado recentemente o número de links diretos nas respostas de IA e adicionado prévias dos sites para incentivar cliques. A CMA afirmou que essas medidas asseguram um “tratamento mais justo para editores e consumidores”.

Para tentar influenciar editores que consideram a exclusão, o Google passará a exibir novas métricas no Search Console, incluindo informações sobre impressões e sobre quais páginas aparecem em respostas de IA, além dos países de origem dessas consultas. A empresa prometeu adicionar mais métricas com o tempo.

Impactos e próximos passos

A CMA destaca que a medida coloca os editores, especialmente organizações jornalísticas, em uma posição mais forte para negociar acordos de conteúdo com o Google. A decisão ocorre em meio a reclamações de que muitos sites sofreram grande queda de tráfego desde que o Google começou a exibir resumos de IA no topo dos resultados. Além disso, o Google controla mais de 90% do mercado de busca online no Reino Unido.

A diretora-executiva da CMA, Sarah Cardell, afirmou que é “crucial que os editores de conteúdo, incluindo organizações jornalísticas, tenham poder de barganha apropriado sobre como seu conteúdo é usado”. O Google tem nove meses para implementar todas as mudanças, mas a CMA espera que “partes importantes” sejam adotadas antes disso. A autoridade disse que continuará monitorando os desenvolvimentos na busca do Google, especialmente após o anúncio de maior integração de IA na caixa de busca feito pela empresa em maio.

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