Breakout Ventures, firma de venture capital com sede em San Francisco, anunciou o fechamento de seu terceiro fundo no valor de US$ 114 milhões, o maior até o momento, com foco em startups iniciais que utilizam inteligência artificial em campos científicos como biologia e química. O fundo já destinou investimentos iniciais para três empresas e planeja apoiar pelo menos 20 companhias, com cheques médios entre US$ 500 mil e US$ 5 milhões. A iniciativa reflete a convicção da firma de que a convergência entre IA e ciências exatas pode acelerar inovações em áreas como descoberta de medicamentos, diagnósticos e materiais.
Anúncio do Fund III
O fechamento do Fund III de US$ 114 milhões visa apoiar empresas lideradas por fundadores que operam na interseção entre ciência e inteligência artificial. Lindy Fishburne, diretora administrativa da Breakout Ventures, afirmou que o fundo busca companhias dedicadas a desbloquear a complexidade da ciência com IA, com ênfase na biologia e química para resolver necessidades não atendidas e criar novos mercados. Julia Moore, sócia gerente, descreveu o fundo como o capítulo mais ambicioso da firma, apoiando fundadores que realizam o trabalho mais valioso em ciência e tecnologia atualmente.
O fundo está em fase ativa de implantação, com investimentos iniciais já realizados em startups, incluindo uma em modo stealth oriunda da Universidade de Chicago, focada em descobertas de pequenas moléculas por meio de análise química aprimorada computacionalmente. Além disso, um investimento revelado foi na Reach Industries, que desenvolve uma camada de inteligência visual para ambientes regulados usando visão computacional agentic. Dois outros investimentos permanecem em stealth.
Histórico da Firma
A Breakout Ventures surgiu de um programa de grants da Thiel Foundation, lançado há mais de 15 anos, e foi formalmente estabelecida em 2016 para fornecer suporte a cientistas-empreendedores na comercialização de avanços. Anteriormente, a firma captou o Fund I de US$ 60 milhões em 2017 e o Fund II de US$ 112,5 milhões em 2021, ambos direcionados a startups científicas. Com o Fund III, o total de ativos sob gestão ultrapassa US$ 230 milhões em três veículos.
O ecossistema evoluiu, segundo as sócias gerentes Lindy Fishburne e Julia Moore, com avanços em espaços de laboratórios compartilhados, políticas de transferência de tecnologia em universidades e a qualidade de empreendedores nessa área, além do impacto da tecnologia. A firma começou como Breakout Labs em 2011, oferecendo cheques especulativos a projetos radicais para venture capital tradicional ou financiamento acadêmico.
Investidores e Captação
A captação do Fund III levou cerca de um ano e meio e envolveu limited partners como The Kraft Group, Pinegrove Venture Partners e Cubed Capital. Novos investidores incluem Jimco e Korea Omega Investment Corporation, ao lado de parceiros retornantes como Cortes Capital, S-Cubed Capital e uma afiliada da LH Capital. O processo reflete o posicionamento da firma para capturar o momento de inflexão na bioeconomia.
Perfil de Fundadores e Estratégia
A Breakout Ventures prioriza fundadores com PhDs que desenvolvem a ciência que comercializam ou profissionais da indústria com compreensão profunda das necessidades e oportunidades do mercado. A firma avalia o ajuste, identificando o motivo óbvio pelo qual essa pessoa é a melhor para construir uma companhia específica. Em abordagens de investimento, solicita planos detalhados sobre uso dos fundos, medição de marcos e validação de mercado, além de revisar investimentos passados para verificar se metas foram atingidas.
Os investimentos ocorrem desde pré-seed até Série A, com cheques iniciais institucionais em empresas impulsionadas por ciência, seguidos de rodadas adicionais à medida que escalam. Setores incluem biotecnologia e ciências da vida, saúde digital, robótica e automação, além de ferramentas e infraestrutura de desenvolvimento computacional. Áreas de oportunidade incluem modelos biológicos preditivos para reduzir testes em animais, biomarcadores multimodais para doenças neurodegenerativas e tecnologias para reshoring de cadeias de suprimentos de minerais e materiais.
Exemplos de Portfolio e Tração
O portfolio da firma abrange diagnósticos impulsionados por IA, combustível de aviação sustentável, interfaces neurais e materiais sem fósseis, com saídas e parcerias reais. No Fund I, investimentos notáveis incluem o Cytovale, com diagnóstico de sepse via IA, e a Twelve, com combustível de aviação sustentável derivado de CO₂ capturado; o fundo já retornou capital aos investidores. No Fund II, a Surf Bio foi adquirida pela Halozyme por até US$ 400 milhões; a Noetik firmou parceria de US$ 50 milhões com a GSK para modelos de células virtuais via IA; a Phantom Neuro, com designação de dispositivo inovador pela FDA para tecnologia de interface neural, abriu um registro de pacientes; e a ZymoChem escala produção de polímeros sem fósseis com parceiros como Lululemon.
Outros exemplos incluem a Noetik, usando aprendizado de máquina auto-supervisionado em dados multimodais de tumores para imunoterapias contra câncer, que captou US$ 40 milhões em Série A em 2024; a Phantom Neuro, com processamento de sinais neurais para controle intuitivo de próteses, que levantou US$ 19 milhões em Série A em 2025; e a ZymoChem, usando enzimas para químicos bio-baseados, com Série A de US$ 21 milhões em 2024 liderada pela Breakout. Uma saída em 2025 foi a aquisição da Surf Bio pela Halozyme por US$ 400 milhões.
A equipe expandiu para incluir Dana Watt, fundadora em diagnósticos e sócia; Nima Ronaghi, químico orgânico como sócia focada na transição de cientista para fundador; além de James Chan como CFO, Ziv Yoash como conselheiro geral e Susanna Harris como diretora de plataforma. Lindy Fishburne e Julia Moore permanecem como sócias gerentes. O foco une perfis de fundadores cientistas que pensam como engenheiros, construindo rapidamente em problemas onde o fosso comercial é a ciência em si.


