Investimentos em physical AI e robótica crescem globalmente e focam em bilhões

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Startups de robótica e IA física atraem investimentos crescentes em diferentes mercados globais. Empresas nos Estados Unidos buscam rodadas de financiamento bilionárias, enquanto fundos de venture capital direcionam recursos para o espaço de IA aplicada ao mundo físico. Na Índia, o setor registra alta em aportes, impulsionado por avanços tecnológicos e demanda industrial.

Negociações de Financiamento da Physical Intelligence

A startup de robótica Physical Intelligence, sediada em São Francisco e com dois anos de existência, está em discussões para captar cerca de US$ 1 bilhão em nova rodada de funding, com valuation superior a US$ 11 bilhões, conforme relatório sobre negociações de financiamento. Essa operação dobraria o valuation anterior de US$ 5,6 bilhões em apenas quatro meses. O acordo está em estágio inicial, com possibilidade de alterações nos detalhes.

Fundos como Founders Fund devem participar, ao lado de Lightspeed Venture Partners, Thrive Capital e Lux Capital, estes últimos como investidores recorrentes. Em janeiro, durante visita à sede da empresa, o cofundador Sergey Levine descreveu a ambição da companhia como equivalente ao ChatGPT, mas para robôs. Na ocasião, a Physical Intelligence havia levantado pouco mais de US$ 1 bilhão e contava com cerca de 80 funcionários desenvolvendo modelos de IA de propósito geral para tarefas variadas, como dobrar roupas e descascar vegetais.

O cofundador Lachy Groom afirmou à TechCrunch que a empresa não tem cronograma para comercialização, posição incomum que não incomoda os investidores. Groom destacou que “não há limite para quanto dinheiro podemos realmente investir no problema”, com possibilidade de alocação adicional em computação. Essa abordagem reflete a flexibilidade financeira da startup no setor de IA física.

Estratégia de Investimentos do Fundo Eclipse

A firma de venture capital Eclipse, baseada em Palo Alto, anunciou a captação de US$ 1,3 bilhão em capital fresco, dividido entre um fundo de incubação early-stage de US$ 591 milhões e outro voltado para startups em crescimento, conforme anúncio do fundo de US$ 1,3 bilhão. O foco é na IA física, abrangendo aplicações em robótica autônoma, sistemas de manufatura inteligente e soluções para o mundo real, como veículos de construção autônomos e reciclagem de baterias. Essa alocação representa uma aposta em setores como transporte, energia, infraestrutura, computação e defesa.

O parceiro Jiten Behl descreveu o período como uma nova era tecnológica, após ondas de inovação como internet, nuvem móvel e mídias sociais, agora migrando para ações físicas impulsionadas por IA. A estratégia inclui investimentos em startups como Arc (desenvolvedora de barcos elétricos), Redwood Materials (reciclagem de baterias), Bedrock Robotics (veículos de construção autônomos), Wayve (tecnologia para veículos autônomos) e Mind Robotics (laboratório de robótica industrial). Além de aportes tradicionais, o Eclipse planeja incubar empresas internamente, identificando oportunidades e montando equipes para reduzir riscos em estágios iniciais.

Behl enfatizou a construção de um ecossistema de startups interconectadas, com compartilhamento de dados para treinar modelos de IA mais avançados e criar barreiras competitivas. A abordagem híbrida, combinando venture capital com modelo de estúdio, visa capturar maior upside em um espaço capital-intensivo, marcado por ciclos longos de desenvolvimento e desafios como gerenciamento de supply chain. O fundo posiciona o Eclipse para liderar rodadas maiores, mantendo participação em empresas que escalam para produção física.

Crescimento de Investimentos em Robótica na Índia

Startups indianas de IA e robótica captaram US$ 130 milhões em 25 deals em 2025, segundo dados da Venture Intelligence, aumento em relação a US$ 124 milhões em 24 deals em 2024 e US$ 91 milhões em 21 deals em 2023. No primeiro trimestre de 2026, startups de IA física levantaram US$ 42 milhões, com foco em robótica e áreas relacionadas. Exemplos incluem US$ 28 milhões para a Unbox Robotics, investimentos na Armatrix (hardware robótico) e US$ 1,13 milhão para a Octobotics (inspeção e manutenção robótica); a CynLr busca novos fundos.

O crescimento é impulsionado por maior aceitação de robôs, ecossistemas de manufatura maduros e redução nos custos de hardware, como baterias e motores em 20-30%, apesar do aumento em GPUs e memória. Indústrias como automotiva e máquinas pesadas investem mais em tecnologias que integram robôs a humanos em fábricas. O relatório da International Federation of Robots para 2025 indicou 9.120 unidades instaladas na Índia em 2024, alta de 7% ante 2023, posicionando o país em sexto lugar globalmente, atrás de Alemanha, Coreia do Sul, EUA, Japão e China.

Empresas como FPV Labs e Objectway coletam dados para treinamento de robôs, enquanto a AuraML desenvolve plataforma multimodal para simulações de ambientes reais, permitindo testes em 10-30 minutos em vez de seis meses a um ano. A AuraML captou US$ 1 milhão em seed de investidores como DeVC e Indian Angel Network. Krishnakumar Natarajan, da Mela Ventures, vê o setor em ponto de inflexão com a entrada da IA; Pranav Pai, da 3one4 Capital, nota que a IA facilita designs complexos.

Desafios no Ecossistema Indiano

Fundadores destacam a falta de pesquisa foundational em IA e densidade de talentos na Índia para escalar o ecossistema de robótica. Clientes como unidades públicas (PSUs) resistem a investimentos, diferentemente dos EUA, onde agências governamentais concedem grandes contratos. Pai sugeriu um programa público de P&D mais eficiente e grants para physical computing, ausentes no contexto indiano.

James Davidson, da Teradyne Robotics, observou maior conscientização e disposição para adotar tecnologias que substituem tarefas laboriosas. Globalmente, startups como Figure AI (US$ 1 bilhão) e Agility Robotics (US$ 641 milhões) ilustram o escala maior fora da Índia. Esses obstáculos contrastam com tendências como reshoring e tensões geopolíticas que favorecem automação doméstica.

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