IA transforma trabalho, mas sem substituição em massa de empregos, diz MIT

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Stylized 3D network of industries and AI impact, showing transformation and progress

AI está transformando o modo como as pessoas trabalham de forma gradual, sem substituição em massa de empregos, conforme pesquisa recente do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT. O estudo avalia tarefas reais do mercado de trabalho e indica que a automação avança como uma maré crescente, alterando tarefas de maneira ampla e progressiva. Ao mesmo tempo, demissões em empresas de tecnologia crescem, com a IA sendo citada em parte dos cortes, enquanto tendências globais apontam para inovações, regulações e impactos econômicos variados.

Pesquisa do MIT sobre Automação e Tarefas

Pesquisadores do MIT identificaram 11.500 tarefas no banco de dados do Departamento de Trabalho dos EUA e criaram múltiplas instâncias de cada uma. Essas tarefas foram processadas por mais de 40 modelos de IA com prompts no estilo de ambiente de trabalho. Trabalhadores das respectivas áreas avaliaram mais de 17.000 saídas geradas por IA para determinar se eram utilizáveis sem edições.

Em 2024, modelos de IA completaram cerca de 50% das tarefas baseadas em texto em um nível minimamente aceitável, subindo para 65% em 2025, segundo o relatório. No ritmo atual, a IA poderia lidar com 80% a 95% dessas tarefas até 2029, mas apenas em nível “bom o suficiente”. O estudo mede a capacidade de produzir trabalho utilizável em cenários reais, em vez de benchmarks tradicionais, conforme detalhes no estudo do MIT.

Variações por Setor e Limitações

A IA apresenta taxas de sucesso variadas por indústria, reforçando a necessidade de humanos no processo. No trabalho legal, a taxa é de 47%, devido à exigência de precisão, julgamento e orientação estratégica. Em instalação, manutenção e reparo, atinge 73%, por automatizar partes administrativas de trabalhos manuais, como solução de problemas e documentação.

Na mídia, artes e design, a taxa é de 55%, útil para rascunhos e ideias, mas insuficiente em execuções criativas de alto nível. Para tarefas gerenciais, como planejamento, redação e análise, chega a 53%, mas falha em coordenação, julgamento e tomada de decisões. “Bom o suficiente” difere de confiável, com trabalho de alta qualidade e sem erros sendo mais difícil, como visto em exemplos recentes, incluindo o relatório gerado por IA cheio de erros da Deloitte para uma província canadense e o recuo da Klarna de atendimento ao cliente liderado por IA.

Demissões em Tecnologia e “AI-Washing”

Empresas de tecnologia anunciaram 18.720 cortes de empregos em março, um aumento de 24% em relação a março de 2025, segundo dados da Challenger, Gray & Christmas Inc. reportados pela Bloomberg. Mais de 52.000 vagas em tech foram eliminadas no primeiro trimestre do ano, o maior número desde 2023. Fora do setor, 60.620 empregos foram cortados em março, 25% a mais que em fevereiro, com um quarto das reduções atribuídas à adoção de IA.

Líderes como CEOs da Amazon, Meta, Oracle e Block citaram IA em demissões, mas críticos como Sam Altman e Marc Andreessen sugerem “AI-washing”, usando a tecnologia como desculpa para reestruturações e excesso de pessoal. Andreessen afirmou em episódio do podcast 20VC que empresas grandes estão superlotadas em 25% a 75%, e a IA até dezembro anterior não era capaz de substituir os empregos cortados. Em fevereiro, IA foi citada em 10% dos cortes, sem apocalipse amplo de empregos materializado.

Tendências Globais e Regulações

A adoção de IA impulsiona reestruturações em tech, com empresas como Meta cortando 600 vagas em laboratório de superinteligência e Amazon prevendo menos pessoas em papéis automatizados, mas criando novos empregos. Plataformas como Agentforce automatizam 80% de processos de empréstimos em firmas financeiras, reduzindo tempos de aprovação para 30 minutos e custos em 30%. Avanços incluem agentes da Anthropic que controlam computadores e modelos mini da OpenAI para ambientes com poucos recursos.

Na Califórnia, a proposta Safe and Secure Innovation for Frontier Artificial Intelligence Models Act gera debate sobre segurança, privacidade e ética. Uma coalizão de empresas de tech, grupos de advocacia infantil e pesquisadores aborda riscos de IA para crianças, como deepfakes. Riscos de segurança incluem “alucinações” de IA, gerando informações falsas, ameaçando confiança em finanças, saúde e direito, com investimentos em verificação e supervisão humana.

Impactos Econômicos e Educacionais

A IA pode adicionar até US$ 15,7 trilhões à economia global até 2030, via ganhos de produtividade, segundo PwC, com mercados emergentes como Índia e Brasil usando a tecnologia para superar sistemas legados. No entanto, o FMI alerta para aumento de desigualdades, afetando nações em desenvolvimento e trabalhadores menos qualificados, com benefícios concentrados em gigantes tech. O mercado de chips de IA, avaliado em US$ 102 bilhões em 2025, deve superar US$ 1 trilhão até 2035.

Quase metade dos estudantes universitários pensou em mudar de curso devido ao impacto potencial da IA no mercado de trabalho, com 14% considerando “muito” e 33% “razoavelmente”, segundo pesquisa Lumina Foundation e Gallup de outubro de 2025. 16% já mudaram de major, mais entre homens e em áreas vocacionais ou tech. 42% dos alunos dizem que suas instituições desencorajam o uso de IA em tarefas acadêmicas, mas 15% a usam diariamente mesmo assim. Especialistas enfatizam a necessidade de entender vieses e implicações da IA para evitar danos.

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