Anthropic projeta primeiro lucro operacional em 2026 com crescimento em IA

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Em meio a um crescimento explosivo no mercado de inteligência artificial, a Anthropic projeta mais que dobrar sua receita no segundo trimestre de 2026, alcançando US$ 10,9 bilhões, e registrar seu primeiro lucro operacional, de US$ 559 milhões. No entanto, os números são contestados por analistas que apontam possíveis distorções contábeis e dependência de descontos temporários em contratos de computação. Simultaneamente, a concorrente OpenAI avança com seu pedido de IPO, expondo diferentes modelos de negócio e estratégias de rentabilidade.

Projeções financeiras e crescimento da Anthropic

Segundo a projeção financeira da Anthropic, a receita do primeiro trimestre de 2026 foi de US$ 4,8 bilhões; a do segundo trimestre deve atingir US$ 10,9 bilhões, mais que o dobro em apenas três meses. A empresa espera obter um lucro operacional (EBITDA) de US$ 559 milhões no período. A receita anualizada em abril de 2026 chegou a US$ 30 bilhões, contra US$ 1 bilhão quinze meses antes, segundo a CNBC. O crescimento foi impulsionado principalmente por clientes empresariais e desenvolvedores, que respondem por aproximadamente 85% da receita. Mais de 500 empresas gastam mais de US$ 1 milhão por ano na plataforma Claude, e oito das dez maiores empresas americanas são clientes. A empresa também está em conversas para levantar recursos a uma avaliação de US$ 900 bilhões.

A Anthropic foi fundada em 2021 por ex-executivos e pesquisadores do OpenAI. Seu aplicativo Claude chegou ao topo da App Store da Apple em fevereiro, após um desentendimento com o Pentágono. A empresa foi colocada na lista negra do Departamento de Defesa por recusar acesso irrestrito aos seus modelos para fins militares, mas vem retomando relações com o lançamento do Claude Mythos Preview, um modelo com capacidades avançadas de cibersegurança. O presidente Donald Trump afirmou à CNBC que um acordo entre o DOD e a Anthropic é “possível”.

Caminhos divergentes para a rentabilidade: Anthropic vs. OpenAI

Análises comparativas indicam que a estrutura de receita da Anthropic, concentrada em empresas, gera de três a cinco vezes mais receita por token do que usuários consumidores. A OpenAI, por outro lado, tem cerca de 85% de sua receita ligada a assinaturas do ChatGPT, com aproximadamente 95% dos usuários no plano gratuito. A OpenAI protocolou confidencialmente seu pedido de IPO, com Goldman Sachs e Morgan Stanley, visando uma listagem já em setembro de 2026 a uma avaliação superior a US$ 1 trilhão. A empresa projeta um prejuízo de US$ 14 bilhões em 2026 e não espera lucratividade antes de 2029 ou 2030. Sua diretora financeira, Sarah Friar, manifestou reservas sobre o momento do IPO, afirmando que a empresa ainda não está pronta para o escrutínio dos mercados públicos.

Em contraste, a Anthropic projeta um fluxo de caixa positivo de US$ 17 bilhões em 2028, com receita de US$ 70 bilhões e margens brutas próximas a 77%. O lucro operacional do segundo trimestre de 2026 já inclui custos de treinamento de modelo – despesa frequentemente citada como barreira estrutural à rentabilidade em IA. O marco chegou dois anos antes do previsto pela própria empresa no verão anterior. A ressalva é que a projeção exclui remuneração baseada em ações, que pode ser significativa. A companhia também pode não permanecer lucrativa ao longo de todo o ano devido aos planos de aumento de gastos com computação e treinamento.

A comparação com a Amazon é citada por investidores: a gigante do varejo acumulou cerca de US$ 3 bilhões em prejuízos acumulados ao longo de seis anos antes do primeiro lucro anual, em 2003. Já a OpenAI está a caminho de acumular centenas de bilhões em perdas antes de atingir fluxo de caixa positivo, por volta de 2029 ou 2030, segundo analistas. O economista-chefe do HSBC estimou um déficit de financiamento de US$ 207 bilhões para os planos de crescimento da OpenAI.

Controvérsias sobre a contabilidade e a sustentabilidade dos resultados

Críticos questionam a validade dos números divulgados pela Anthropic. O Wall Street Journal observou, no final de sua matéria, que “não está claro quais métodos contábeis a Anthropic usou para reconhecer receitas e custos, já que a empresa ainda não precisa seguir os requisitos de relatórios financeiros de uma empresa pública”. A análise sugere que o lucro operacional pode ser resultado de descontos temporários em contratos de computação, e não de uma melhora estrutural no modelo de negócios.

Um ponto de conflito envolve declarações anteriores. Em fevereiro de 2026, a Anthropic afirmou ter atingido US$ 14 bilhões em receita recorrente anual (ARR); em março, o CEO Dario Amodei declarou US$ 19 bilhões em ARR; no mesmo mês, o CFO Krishna Rao declarou sob juramento, em um processo judicial, que a receita acumulada da empresa era “superior a US$ 5 bilhões”. Dados prévios do The Information indicavam US$ 4,5 bilhões de receita em 2025. Os críticos argumentam que é difícil conciliar esses números: se as projeções atuais estiverem corretas, a Anthropic teria gerado mais de 90% de sua receita total apenas no primeiro trimestre de 2026, o que eles consideram improvável.

Além disso, o acordo com a SpaceX para uso do data center Colossus 1, em Memphis, Tennessee, prevê que a Anthropic pague US$ 1,25 bilhão por mês a partir de julho de 2026 até maio de 2029. Os críticos apontam que, nos dois meses anteriores (abril e maio), a Anthropic pode ter usufruído de descontos especiais para “maquiar” os números do segundo trimestre. Com os custos integrais, a empresa passaria a gastar cerca de US$ 3,75 bilhões mensais em computação, considerando também contratos com Google, Amazon e Microsoft, o que inviabilizaria o lucro operacional reportado.

Acordos de computação e pressões sobre custos

Para atender à demanda, a Anthropic firmou uma série de acordos de capacidade de computação. O mais recente, com a SpaceX, garante o uso integral do data center Colossus 1 mediante pagamento de US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029, conforme o prospecto de IPO da SpaceX. A empresa também mantém contratos com Google, Amazon e Microsoft. Em comunicado recente, a Anthropic afirmou que a demanda empresarial e de desenvolvedores pelo Claude, além de um “aumento acentuado” no uso por consumidores, gerou “tensão inevitável” em sua infraestrutura.

Perspectivas de IPO e reação do mercado

Tanto a Anthropic quanto a OpenAI miram abertura de capital em 2026. A OpenAI protocolou confidencialmente seu prospecto e trabalha para listar suas ações já em setembro. A Anthropic também considera um IPO no mesmo ano. A diferença nas trajetórias financeiras deve ser examinada de perto pelos investidores institucionais quando os prospectos forem divulgados. Enquanto a OpenAI pede que o mercado financie anos adicionais de prejuízos crescentes, a Anthropic chega com um trimestre lucrativo em mãos, ainda que em base não-GAAP e sujeito a contestações. A questão central, segundo analistas, é saber se e com que rapidez o custo de fornecer inteligência pode ficar abaixo da receita gerada por sua aplicação. Por enquanto, somente uma das empresas demonstrou que isso é possível – ainda que temporariamente.

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