Um investidor da Sequoia Capital viralizou com uma tese que posiciona serviços impulsionados por IA como o novo paradigma de software, prevendo o surgimento de empresas bilionárias focadas em resultados com automação inteligente. Paralelamente, o modelo Mythos da Anthropic gera alertas entre reguladores financeiros globais devido a riscos cibernéticos, enquanto a empresa enfrenta disputas com o governo dos EUA e recebe novos investimentos da Amazon. Outras novidades incluem saídas de executivos na OpenAI, o avanço chinês em IA ameaçando a liderança americana e o aumento dos custos de inferência que desafiam a adoção em larga escala.
Tese de serviços como novo software
Julien Bek, investidor inicial no escritório londrino da Sequoia Capital, escreveu um blog intitulado “Services: The New Software” para destacar teses recentes de investimento da firma e startups apoiadas. O texto, postado em redes sociais, superou 1 milhão de visualizações no X em poucos dias e se aproxima de 3 milhões, com mais de 450 mil impressões no LinkedIn. Bek não esperava tal alcance, mas atribui o impacto ao título provocativo e à ideia central de que a próxima empresa de US$ 1 trilhão venderá resultados via IA e expertise humana, em vez de hardware ou software puro.
A tese distingue inteligência, tarefas com respostas claras como codificação e matemática onde IA avança, de julgamento, que envolve intuição e distinções qualitativas ainda desafiadoras para modelos. Bek aplica uma análise matricial considerando outsourcing atual versus in-house, identificando oportunidades em serviços terceirizados como auditoria e corretagem de seguros, onde IA pode reduzir custos de US$ 100 para US$ 80 com margens altas. Exemplos incluem startups como Robin AI e Legora no setor legal, Dwelly em imóveis, Dystyl AI em consultoria, Rogo em serviços financeiros e WithCoverage em corretagem de seguros, com potencial de mercado vasto, já que empresas gastam seis dólares em serviços para cada um em software.
Bek denomina essas startups de “autopilots”, comparando à automação em aviação onde humanos monitoram processos, diferentemente de “copilots” com interações mais intensas. Ele reconhece que regulação impede in-sourcing em áreas como auditoria financeira independente, e razões como validação externa em consultoria mantêm outsourcing. Investidores de private equity buscam similarmente integrar IA em negócios legados, mas Bek vê startups nativas capturando mercado mais rápido que transformações em firmas estabelecidas.
Preocupações com o modelo Mythos da Anthropic
O modelo Claude Mythos da Anthropic alarma reguladores financeiros internacionais, com avisos em reuniões da IMF e Banco Mundial sobre riscos sistêmicos ao expor vulnerabilidades cibernéticas em bancos e infraestrutura crítica. Autoridades como Andrew Bailey do Banco da Inglaterra e Christine Lagarde do Banco Central Europeu destacam que a tecnologia equilibra atacantes contra defensores, demandando coordenação global, embora reguladores europeus ainda não acessem o modelo. Yoshua Bengio, conhecido como “padrinho da IA”, defende cooperação urgente em cibersegurança.
A NSA utiliza o Mythos apesar de designação de risco na cadeia de suprimentos contra a Anthropic, por cláusulas contratuais proibindo uso militar em armas autônomas letais ou vigilância em massa de cidadãos americanos. Fontes anônimas indicam uso incerto, mas o modelo detecta vulnerabilidades zero-day e monta ataques autônomos sofisticados, métodos adaptáveis para defesas e patches. O CEO Dario Amodei reuniu-se com a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, em discussões vistas como tentativa de acordo para remover a designação, com audiências judiciais em maio e vitórias parciais em cortes californianas.
A Amazon investe mais US$ 5 bilhões na Anthropic, podendo adicionar US$ 20 bilhões por marcos comerciais, somando-se a US$ 8 bilhões prévios. Em troca, a Anthropic alocará sobre US$ 100 bilhões em serviços AWS nos próximos dez anos, integrando Claude em produtos e acessando cinco gigawatts de computação AI, além de recursos em Ásia e Europa, mantendo parcerias com Google, Microsoft e CoreWeave.
Mudanças na OpenAI e novas startups
Três executivos seniores da OpenAI, incluindo Kevin Weil, ex-cofundador do Instagram e vice-presidente de produto, anunciaram saídas em meio a reestruturação focada em produtos empresariais e codificação. Weil liderava divisão de IA para ciência desde outubro de 2025, mas a ferramenta Prism para workflows científicos fecha, integrando-se ao Codex, enquanto Srinivas Narayanan, CTO de aplicações B2B, e Bill Peebles, chefe da equipe Sora de geração de vídeo descontinuada, também partem. Essas demissões somam-se a rotações de liderança sob competição crescente da Anthropic e preparativos para possível IPO.
A startup Recursive Superintelligence, fundada por ex-alunos do Google DeepMind e OpenAI há quatro meses, captou pelo menos US$ 500 milhões a uma valuation de US$ 4 bilhões, liderada pelo GV do Google com apoio da Nvidia. O foco é desenvolver IA que se aprimora continuamente sem intervenção humana. Fundadores incluem Richard Socher, de You.com e ex-pesquisador da Salesforce, Tim Rocktäschel do DeepMind, e ex-OpenAI Jeff Clune, Josh Tobin e Tim Shi.
Competição EUA-China em IA e custos de inferência
O Índice Anual de IA do Instituto HAI da Stanford indica que os EUA lideram, mas tendências desfavoráveis aproximam a China: modelos trocaram tops em performance em 2025, com vantagem americana em 2,7% em março de 2026. A China supera em volume de publicações, citações, patentes e instalações de robôs industriais, enquanto EUA mantêm mais modelos top e patentes de alto impacto, ameaçados por queda de 89% em migração de scholars desde 2017, acelerada 80% no último ano sob restrições de vistos da administração Trump. Investimentos privados americanos excedem, mas fundos governamentais chineses somam US$ 912 bilhões desde 2000, complicando narrativas de domínio.
Custos de inferência em IA elevam-se, com “tokenmaxxing” em modelos como Claude Code e Codex levando a limites em tiers e precificação por token na OpenAI, tornando alguns agentes AI mais caros que humanos. Desenvolvedores relatam substituir agentes por programadores mid-level, apesar de piadas sobre aumento em custos com café. Bek cita margens de 70% em soluções como as da Sierra, versus 90% em SaaS puro, com desafios em vendas de serviços empresariais não escaláveis como software.


